Um dos escritórios que tive nessa minha jornada nômade

Uma combinação de acasos e vontades me fizeram optar por esse estilo de vida. E quer saber? Nunca acertei tanto numa escolha. É claro que há fatores como insegurança e medo, mas o que você ganha compensa muito! Tem vontade de se tornar nômade digital e viver uma vida com mais liberdade? Então vamos conversar! Vou contar um pouco da minha história, assim, quem sabe você não se sente incentivado?

Uma amostra do que é nomadismo digital

Eu não conhecia muito bem o que era isso de nomadismo digital. Ao final de 2012, me formei na faculdade de Jornalismo e então decidi fazer um intercâmbio em Londres junto com uma amiga da faculdade. Como eu sempre tive uma relação boa com meus chefes de estágios passados, acabei conseguindo um freela ou outro na minha área enquanto morava em Londres. Não me mantinha completamente com o dinheiro dos freelas, mas isso me mostrou que talvez fosse possível viajar enquanto trabalhava como freelancer para o Brasil. E eu nem sabia que fazer isso já tinha um nome, ou seja, nomadismo digital.

Depois de Londres, eu e minha amiga decidimos que não queríamos voltar tão cedo para o Brasil e então planejamos estudar italiano na Itália e, depois, francês na Bélgica. Com o apoio financeiro dos meus pais e um pouco de grana que ganhava com os freelas, consegui ficar 1 ano vivendo na Europa. Depois me mudei para o Uruguai, onde morei por 1 mês antes de voltar ao Brasil. Nesse ano tive uma pequena amostra do que era ser nômade digital.

Parei e questionei minha vida inteira

De volta ao Brasil, em 2014, eu ainda pensava na experiência incrível que havia tido e, já tendo pesquisado mais sobre nomadismo digital, passei a questionar minha vida. Recém-formada, não tinha certeza do que queria fazer no Brasil, de qual era o emprego dos sonhos e se existia um, de como imaginava meu futuro, essas coisas.

Todas as oportunidades que surgiam de trabalho pareciam não combinar comigo ou pagavam mal para um estresse muito alto. Tudo o que visualizava para o futuro próximo parecia sem graça, com pouca qualidade de vida e eu comecei a pensar em alternativas. Estava determinada a não me deixar levar por uma vida em que fosse escrava de um trabalho e de uma rotina que não amasse. Questionar como eu queria viver, o que era importante para uma vida decente e feliz foi o começo de tudo.

Adaptações antes de mudar tudo

Com um pouco mais de direção, mas ainda sem grandes ideias, passei a buscar freelas e a trabalhar como jornalista freelancer de casa, mas agora em São Paulo. Nessa fase tinha me livrado do ambiente corporativo, que não me fazia bem. Eu havia conseguido me firmar como freelancer e não precisava mais me estressar com horários fixos, trânsito e outras coisas que me dão aflição.

Parte da qualidade de vida que eu buscava eu havia conquistado. Para completar, me matriculei em um MBA de Marketing Digital e comecei a explorar novas possibilidades de carreira. Com o MBA, sabia que poderia ir além de um texto jornalístico e poderia atuar como social media e fazer outras atividades ligadas à comunicação de marcas/empresas.

Pronto, eu já tinha adaptado um pouco o meu estilo de vida, construído uma carreira como jornalista freelancer e ainda estava conhecendo áreas novas onde poderia me aventurar e ter mais opções de trabalhos. Amadureci um pouco meu lado profissional e me senti mais livre.

Estudei e busquei referências

Mesmo com uma vida mais encaminhada no Brasil, continuei buscando informações sobre nomadismo digital. Procurava por pessoas que haviam apostado nesse estilo de vida e comecei a estudar como faziam isso. Também passei a ser chamada para participar de congressos e workshops sobre nomadismo digital. Embora eu não fosse nômade no momento, passei a ser conhecida pela pequena experiência que tive e aproveitei essas oportunidades para conhecer outros nômades, aprender ainda mais sobre o assunto e disseminar esse estilo de vida.

Na Europa e nos Estados Unidos, ser nômade digital é algo mais comum, mais difundido. No Brasil ainda é algo um tanto novo e diferente, então eu precisava entender se isso era mesmo viável para alguém que ganhava em reais. Aos poucos descobri blogs de nômades brasileiros e vi que esse sonho era possível. Tive a prova de que não precisava ganhar em dólares, em euros ou ser rica para viajar enquanto trabalha.

Mesmo vivendo um sonho na minha cabeça, eu não podia deixar de tocar minha vida. Comecei a trabalhar como coordenadora em uma agência de comunicação e branding, fazia freelas também, enfim, continuei minha vida normal. Mas após muitas conversas com meu namorado, após dividirmos nossos sonhos, valores e vontades, resolvi arriscar tudo, pedir demissão e me mudar para a Itália com ele e seu irmão para reconhecer nossas cidadanias italianas. Como havia me demitido, precisaria trabalhar, então esse lance da cidadania também me levou a pensar na vida como nômade digital. E isso foi o começo de uma vida nômade pra valer.

Planejamento, calma e foco

De novo na Europa, agora com objetivos mais certos e determinada a estabelecer uma vida como nômade digital a longo prazo, eu segui os passos dos nômades mais experientes: me cadastrei em sites para arranjar trabalho remoto, fiz curso sobre como se tornar freelancer e trabalhei minha imagem como profissional.

Com a ajuda do meu namorado, comecei a definir o que queria como profissional, ou seja, com o que gostaria de trabalhar, que tipos de clientes gostaria de ter, como faria para chegar até eles, o que era necessário para trabalhar com aquilo. Assumi esse estilo de vida e foquei somente nisso enquanto estava esperando a cidadania ficar pronta.

Resultado? Deu certo!

Depois de passar alguns meses dedicando tempo somente para definir meus objetivos e como alcançaria eles, comecei a agir. Assim, consegui clientes, estabeleci contatos e hoje consigo me manter 100% com o dinheiro do meu trabalho.

Bom, ainda estou no começo, mas tem dado tudo certo! Até agora meus clientes são brasileiros, então recebo em reais, mas também tenho buscado trabalhos pela Europa, o que seria uma oportunidade para ganhar em euros.

O que aprendi

Nesse processo não dá para ser afobado. Se você ainda não tem freelas (se esse é seu plano), comece a guardar um dinheiro para iniciar uma vida como nômade e se planeje. Se planeje muito! Não é seguro abandonar tudo e cair no mundo sem garantias. Eu já tinha uma reserva de dinheiro e isso facilitou o processo de me tornar nômade porque sabia que, se não tivesse trabalhos logo, teria pelo menos um dinheiro para me manter por algum tempo.

Porém, antes de sair caçando freelas, eu sabia que era importante me encontrar como profissional. Como disse anteriormente, me perguntei várias vezes com o que gostaria de trabalhar, que clientes queria ter, como queria trabalhar. Assim, construí minha imagem como profissional e encontrei um foco.

Dicas para começar a se tornar nômade digital

Se você está perdido em relação à carreira e não sabe como poderia ganhar dinheiro como nômade digital, tente se fazer algumas perguntas e trabalhar essas questões antes de mudar seu estilo de vida.

  • Com o que eu posso trabalhar com a minha formação? Liste as opções.
  • Quais dessas opções me permitiria trabalhar remotamente?
  • Quais dessas atividades que posso fazer remotamente têm mais a ver comigo?
  • Como/onde encontro as pessoas que precisam desse meu trabalho?
  • Como eu quero me apresentar para o mercado e onde devo me apresentar?
  • Quais cursos ou habilidades preciso ter para fazer esse tipo de atividade?
  • O que eu posso oferecer como diferencial para este trabalho?
  • Que ferramentas eu preciso para desenvolver essa atividade?
  • Quanto de dinheiro eu preciso para começar tudo isso?
  • Como eu posso juntar esse dinheiro e daqui quanto tempo poderei começar minha vida nômade?

Pronto, com essas respostas você já tem um rascunho de como será sua atividade de forma remota e o que você precisa fazer para alcançar esse objetivo. Já pode começar a correr atrás e bem-vindo ao mundo dos nômades digitais! 🙂

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